Crítica: Animais Fantásticos e Onde Habitam

A exato 15 anos o mundo mágico criado por J. K. Rowling chegava as telas dos cinemas, depois de conquistar uma legião de fãs com os livros da saga. Agora um novo passo no mundo mágico foi dado, uma nova aventura, pela primeira vez uma história inédita no cinema e um roteiro assinado pela própria Rowling.

072693Na trama, que se passa 70 anos antes dos fatos que iniciam a saga de Harry Potter, somos apresentados o excêntrico magizoologista Newt Scamander (Eddie Redmayne) que chega à cidade de Nova York levando com muito zelo sua preciosa maleta, um objeto mágico onde ele carrega fantásticos animais do mundo da magia que coletou durante as suas viagens. Em meio a comunidade bruxa norte-america, que teme muito mais a exposição aos trouxas do que os ingleses, Newt precisará usar todas suas habilidades e conhecimentos para capturar uma variedade de criaturas que acabam fugindo.

Com o passar do tempo, após o lançamento de Harry Potter e a Pedra Filosofal os personagens foram crescendo e a trama ficando mais adulta. Ao mesmo tempo, o público também foi crescendo junto com os atores. Com o anúncio deste novo longa no mesmo universo, o receio do público era de que a trama ignorasse este amadurecimento do espectador para investir mais uma vez no público infantil. O que, felizmente, não é o que acontece. Animais Fantásticos e Onde Habitam traz uma trama mais adulta para o público que cresceu com a franquia, porém sem deixar de lado toda a magia e inocência deste universo.

Apesar da premissa simples de caça as criaturas, a trama é bem mais complexa do que isso, inserindo diversas camadas, conseguindo introduzir bem o universo mágico dos Estados Unidos e explorando temas como medo do desconhecido, repressão, fanatismo religioso e demonstra uma importante preocupação com representatividade ao colocar uma mulher negra no posto de presidente da comunidade mágica. Rowling passa pelas entre linhas uma mensagem de luta contra todo tipo de preconceito. Outra escolha totalmente acertada é a época em que toda a história se passa, em uma Nova York do século 20, em clima pós-1ª Guerra Mundial e pré-crise de 1929, onde os bruxos vivem em paranoia em uma comunidade isolada que passa por uma crise ao sofrer ataques de uma criatura mágica misteriosa e sob influência do pânico mundial provocado por Gellert Grindelwald.

Agora somos apresentados a quatro novos protagonistas, no centro de tudo temos o tímido Scamander de Redmayne, em uma atuação eficiente, porém por vezes meio afetada. Apesar dos nomes famosos no elenco, o destaque fica para o resto do quarteto vivido por atores menos conhecidos do grande público, Dan Fogler na pele de um cômico “no-maj” forma uma ótima dupla com Redmayne, uma relação à lá O Gordo e o Magro, que traz os momentos mais divertidos da trama. Fogler representa o olhar do público ao se deparar com cada novidade mágica. Temos também as atrizes Alison Sudol e Katherine Waterston, que dão vida a doce Queenie e a determinada Tina, respectivamente. Os três são os mais carismáticos da turma e assim como em Harry Potter, novamente a formula de colocar os desajustados como protagonistas funcionou.

Quanto ao visual, David Yates e sua equipe realizam um excelente trabalho com uma computação gráfica que faz jus ao título de fantásticos do longa assim como a fotografia de Philippe Rousselot que completa o belo visual. Outro destaque fica para o 3D usado para destacar ainda mais as criaturas que dão título ao filme.

Apesar de ser um Spin-off da saga de Rowling, o filme não exagera nas referências e traz uma trama que funciona muito bem sozinha, tanto para fãs assim como para aqueles que nunca conheceram o jovem bruxo. Animais fantásticos pode não ter o coração da trama de Harry Potter mas tem muito mais potencial a ser explorado do que a trama que lhe deu origem, um mundo mágico inteiramente fascinante aguardando para ser descoberto, pelos fãs ou pelos recém-chegados a este fascinante universo.

Diretor(s): David Yates

Roteiro: J. K. Rowling

Estreia: 17 de novembro de 2016

Duração: 2 hr. 13min.

4/5 (Ótimo)

Anúncios

Um pensamento sobre “Crítica: Animais Fantásticos e Onde Habitam

  1. Pingback: Estreias da Semana – 17 de novembro | Combo Mega

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s